Como estruturar a logística reversa para a economia circular

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A logística reversa é uma peça chave para uma economia circular. Sem uma logística reversa bem estruturada e eficiente, sua estratégia de economia circular provavelmente não dará certo.

No Brasil, os desafios da logística reversa são ainda maiores: temos um território enorme, falta infraestrutura de mobilidade, e temos pouca diversidade nos meios de transporte. Entretanto, isso não é motivo para desistir, até mesmo porque temos, desde 2010, uma política que obriga empresas a implementar a logística reversa.

Para ter sucesso com a logística reversa, é necessário mudar o mindset. Para isso, você deve definir qual seu objetivo com a logística reversa, suas expectativas. “Vou implementar a logística reversa somente para atender a legislação?” ou “vou implementar a logística reversa para recuperar valor?”.

O primeiro passo, como você deve ter percebido, não está relacionado com a logística reversa, mas com seu propósito e sua visão. A logística reversa deve ser o meio, e não o fim. Ela é um processo, uma ferramenta que vai permitir que sua organização recupere valor. Ela permite reduzir ou eliminar impactos ambientais, melhora a efetividade e produtividade de recursos, além de ser rentável e gerar novos empregos.

Empresas que implementam a logística reversa pensando somente no atendimento legal, não exploram todo seu potencial. Em outras palavras, o programa não está vinculado a estratégias de economia circular, e a empresa acaba deixando valor (e dinheiro) em cima da mesa. Em alguns casos, pode acabar aumentando seus custos e contraindo passivos.

Para ajudar sua empresa a estruturar um programa de logística reversa efetivo, preparamos algumas dicas, confira a seguir.

Logística reversa: transformando um problema em solução.

1. Defina o objetivo da logística reversa e alinhe sua estratégia de economia circular

Por que você vai implementar um programa de logística reversa? Qual a expectativa da sua empresa? Assim que o programa estiver rodando, o que vamos fazer com o resíduo e produto que foi coletado? Essas e outras perguntas devem ser respondidas para que sua empresas defina qual o objetivo do programa.

Além disso, para obter mais resultados, pense qual estratégia de economia circular você pode explorar. Reuso, remanufatura, regeneração, reciclagem? Explore também o propósito e resultado esperado da estratégia: qual benefício dessa estratégia e qual problema ela vai resolver?

2. Colete dados e avalie o cenário atual

Para avaliar o potencial da economia circular, é necessário coletar dados de materiais, distâncias, volumes e pontos de coleta. Adicionalmente, dados de inventário de resíduos também ajudam a definir qual a melhor solução para o caso da sua empresa.

Note que, mesmo que você não tenha dados diretos, é possível realizar estimativas, especialmente dos resíduos gerados de pós-consumo. Além disso, conduzir pesquisas junto aos consumidores e parceiros ajudam a entender o comportamento e como o resíduo ou produto é descartado.

3. Defina a política e governança do programa de logística reversa

A partir do objetivo e estratégias definidas, é possível definir a política e governança do programa. Em outras palavras, Isso significa definir as regras e diretrizes que devem ser seguidas, quais resíduos ou produtos serão coletados, quem serão os responsáveis e o que será feito após a coleta.

Além disso, esse é o momento de avaliar suas parcerias e o que é mais viável para sua empresa. Alguns setores, em função da obrigatoriedade imposta pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, estão estabelecendo sistemas de logística reversa coletivos, como é o caso de empresas do setor de eletroeletrônicos.

Do ponto de vista de marketing, como sua empresa pretende divulgar o programa de forma a engajar os atores envolvidos? Quanto às parcerias, quais são os stakeholders chave do programa? Como sua empresa pode desenvolver essas parcerias? Isso é muito importante, especialmente no Brasil, onde existe uma rede informal de catadores e centros de triagem já estabelecidos.

4. Defina procedimentos e operadores, teste em pequena escala

Após a definição da política e governança do programa de logística reversa, é o momento de detalhar os procedimentos.

Definido o tipo de sistema a ser implementado (individual ou coletivo), é importante começar a definir o tipo de coleta, quem serão os operadores logísticos, quais serão os documentos de controle, os destinatários utilizados pelo sistema e escopo geográfico do programa.

É recomendável, especialmente se sua empresa possuir um grande volume de produtos ou resíduos, testar o programa em escala piloto. Isso ajuda a validar se o sistema desenhado é eficiente e quais são as barreiras para a logística reversa, bem como quais as oportunidades de melhoria. Além disso, muitas vezes é uma boa forma de entender o comportamento do consumidor, e se programas de incentivos serão necessários.

Adicionalmente, o teste em escala piloto permite avaliar e melhorar a política e governança do programa, bem como identificar a necessidade de outras parcerias. E lembre-se, para testar o programa, é necessário definir indicadores chave de desempenho.

5. Alinhe as operações com ações de marketing, ganhe escala

Após e teste e melhoria do sistema de programa de logística reversa, é chegado o momento de alinhar as operações com ações de marketing. A partir desse alinhamento, o foco da empresa deve ser ganhar escala e aumentar o engajamento do consumidor. Em muitos casos, ações de marketing e comunicação alavancam os resultados do programa consideravelmente.

Cabe destacar também que ao ganhar escala, é importante medir o desempenho regularmente. Além disso, aumentar a escala com sucesso significa aumentar a capacidade de recuperar valor. Para isso, a cadeia de valor reversa deve ser desenvolvida a medida que o programa vai ganhando escala. Vai fazer o upcycling, garanta que seus parceiros tenham capacidade para aumentar a produção, ou desenvolva mais parceiros. Caso contrário, você ou seus parceiros podem começar a ter problema com estoque.

Conclusão

Como você deve ter notado, para estruturar um programa efetivo de logística reversa, você deve não só se preocupar com a logística reversa, mas também com o valor a ser mantido e com a cadeia reversa. E lembre-se: quanto maior o valor recuperado pela logística reversa, maior o retorno sobre investimento e mais sustentável o seu negócio.